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Manteiga de Ucuúba: Pés no chão e floresta em pé

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Manteiga de Ucuúba: Pés no chão e floresta em pé

Como novas medidas de manejo sustentável da ucuúba mudaram as vidas das famílias produtoras e imprimiram a marca do produto no mercado mundial da beleza

O nome ucuúba deriva da língua indígena e significa: “ucu” (gordura) e “yba” (árvore), ou seja, árvore da gordura, ou mesmo árvore da manteiga. Também não é para menos, já que desse poderoso frutinho são extraídas sementes que contém de 60 a 65% de um poderoso composto lipídico, conhecida como “sebo” ou manteiga de ucuúba.

A matéria-prima é obtida a partir das sementes de diversas espécies da família botânica das Myristicaceae, como a Virola surinamensis e a Virola sebifera, que embora produzam frutos e flores idênticas, são diferenciadas pela seiva de suas cascas, que podem ser de cor vermelha (V. sebifera) ou branca (V. surinamensis).  Essas árvores atingem de 25 a 35 metros de altura, e quando maduras, podem produzir entre 30 e 50 kg de sementes/ano.

Sua safra, que se estende de fevereiro a julho, impacta diretamente a vida de diversas famílias, e a coleta dos frutos tem um significado ainda maior. Desta atividade, dezenas de mulheres de comunidades próximas aos pântanos amazonenses, ilhas alagadas pelas marés e em quase toda a zona fluvial do Amazonas e seus afluentes, alcançam sua liberdade financeira e contribuem positivamente para o desenvolvimento econômico da região. Essas mulheres, em conjunto, saem para fazer a coleta dos frutos pelos rios com redes de pesca, deixando alguns deles, com polpa, para os peixes como importante fonte de alimentação.

O potencial madeireiro da árvore de ucuúba foi intensamente explorado, uma vez que ela é excelente para produção de laminados e compensados. No passado, as árvores eram comercializadas à cerca de R$5,00, tendo sua madeira transformada em cabos de vassoura, que não geram mais do que R$ 0,40 a unidade nas feiras e portos de Belém, por exemplo. Vale a nota que essa é uma árvore ameaçada de extinção.

Então, o incentivo à produção desta manteiga derivada da biodiversidade brasileira não só enaltece o produto com grandes propriedades naturais, como também colabora com a melhora da qualidade de vida e empodera as mulheres produtoras e equilibra todo o ecossistema local.

Assim, o trabalho de profissionalização das famílias e a organização dessas pessoas, com lideranças locais e apoio global, como o expoente Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém, da Ilha de Cotijuba, cada vez mais incentiva a comercialização das sementes, a um preço justo e mantém a floresta conservada, com muito mais possibilidades e gerando mais renda por mais tempo. Além disso, os frutos coletados no seu tempo de maturação ideal, como é promovido pelos fornecedores qualificados pelo Grupo Citróleo, mantém a sustentabilidade da cadeia de produção: a floresta fica em pé e a manteiga de ucuúba com sua composição natural inalterada.

A manteiga de ucuúba tem aspecto ceroso, coloração marrom escuro e odor amadeirado característico e é tradicionalmente utilizada para fazer velas e sabões. Especialmente interessante para o mercado da saboaria, o sabão produzido com esta manteiga tem alta resistência e durabilidade, além das propriedades cicatrizantes e revigorantes. Alguns produtos já se utilizam desses artifícios para substituir a parafina derivada do petróleo, para soluções mais naturais.

Mas o avanço nos estudos desse produto vegetal o colocou em posição de destaque em diversos outros segmentos, como loções e cremes extra hidratantes. Sua principal característica é a sensação aveludada que proporciona, devido ao alto poder de penetração, sem residual oleoso, mesmo quando aplicada diretamente na pele. É um derivado vegetal especialmente interessante para tratamento de eczema e uso em pele secas, sensíveis ou irritadas.

Isso pode estar relacionado ao fato de que a manteiga de ucuúba é uma das principais fontes vegetais de ácido mirístico (C14:0), um ácido graxo de cadeia média, saturado, com grande importância cosmética; então em sua composição há grandes quantidades de trimiristina, um triglicerídeo formado por este ácido, utilizado na confecção de perfumes, cremes para barbear e sabonetes ou também como emoliente graxo exercendo a função de maciez e suavidade. O ácido mirístico é razoavelmente solúvel em água, com características espumógenas e com poder de detergência.

Além do ácido mirístico como componente principal no seu perfil graxo, a manteiga de ucuúba também é composta pelo ácido láurico (C12:0) e ácido palmítico (C16:0). Juntos, esses ácidos representam quase 100% da composição desta manteiga. A matéria prima também é composta por alguns ácidos graxos insaturados como o oleico (C18:1), ou ômega-9.

De maneira protetiva, essa manteiga também pode ser aplicada em produtos para o cabelo, pois forma uma camada sobre os fios. Isso auxilia no tratamento e prevenção de ações danosas de agentes como sol, vento, poluição, mar e piscina.

Outro importante aspecto dessa manteiga é sua capacidade de modificar a reologia de formulações, devido ao seu ponto de fusão. Então, além de entregar os benefícios estéticos, a manteiga de ucuúba garante apelo o sensorial do produto cosmético. Por isso, é uma matéria-prima ideal para substituir gorduras animais em processos produtivos, ajudando, inclusive, a evitar problemas de incrustações durante o processamento.  O ponto de fusão da manteiga de ucuúba é em torno de 45-50°C.

Para avaliar a eficácia do produto, a manteiga de ucuúba foi testada em uma formulação-padrão, como único ativo e agente hidratante/emoliente. Durante o período de 30 dias, os voluntários fizeram uso da loção com 3% da manteiga por duas vezes na semana. Os resultados surpreendentes mostram o que a teoria já indicava: além da grande capacidade de regeneração cutânea, de maneira natural e não agressiva, a manteiga de ucuúba auxilia na suavização de imperfeições, na redução de rugosidade e rachaduras, além de promover hidratação profunda, com toque seco bastante agradável.

As duas fotos à esquerda, abaixo (figura 1) representam o início dos testes e as fotos à direita, após os 30 dias de teste, onde é possível a comprovação da eficácia da manteiga em estudo.

Figura 1. Exemplos da regeneração dos tecidos promovido pela manteiga de ucuúba.

 

Assim, mais uma vez, o Grupo Citróleo aposta na natureza como ela é, e se vale não somente do conhecimento tradicional (e por que não, secular) das famílias amazônicas, como também de estudos avançados e pioneiros de caracterização para enaltecer as riquezas naturais brasileiras. E de modo sinérgico, alia à inovação e bem-estar que suas matérias-primas levam aos consumidores, o respeito ao meio ambiente e às pessoas que nele vivem.